Quando se tem um bebê em casa, obviamente a sua rotina muda… não, é mais que isso. Não existe mais a SUA rotina, só a do bebê… não existe mais o SEU tempo, nem o SEU conforto. Precisamos nos acostumar a não conseguir nem terminar um copo d´água, pois o chorinho nos chama com uma urgência tal que não conseguimos pensar em mais nada, a não ser dar o que quer que seja necessário – seja o peito, seja colo, atenção, uma troca de fraldas…
Você fica irreconhecível por um tempo… usa roupas mais velhinhas, pois sabe que será atingida por inúmeras e inevitáveis golfadas de leite… prende o cabelo no alto da cabeça, em coque, ou com um rabo de cavalo, para que as maozinhas não se emaranhem no cabelo… tira os brincos de pendurar e as argolas, por representarem risco… deixa o relógio guardado, pois usá-lo é risco de arranhar o bebê… o mesmo vale para pulseiras e determinados anéis… perfume ? só suave, fraquinho, afinal, o bebê vai mamar com o rosto coladinho ao seu corpo, não tem como ele ficar respirando loulou, ou animale, ou gabriela sabatini… eu, que amo aqueles perfumes fortes, de empestiar elevador, estou entrando em síndrome de abstinência… rsrs…
Você começa a aprender lições incríveis de time management, já que precisa fazer tudo em 3 horas, antes da próxima mamada… mas o que realmente é incrível… você se esquece, deixa de ser o centro do seu próprio mundo. Você olha aqueles olhinhos curiosos que se fixam em você enquanto a boquinha está ocupada na tarefa de mamar… cheira aquela cabecinha e percebe que nenhum dos “sacrifícios” que está fazendo importa, que você faria qualquer coisa pelo bem-estar dessa pessoinha… e então por algum tempo você deixa de sentir o cansaço, a dor nas costas, os mamilos rachados e doloridos, e agradece a Deus por ter enviado tamanho presente…
Realmente, concordarei com os que dizem que a maternidade não é algo puramente biológico… ela não simplesmente desperta quando a mulher se descobre grávida… algumas mulheres talvez não estarão prontas nunca, outras só depois de muito tempo após o nascimento de seus filhos… só pode ser mãe, plenamente [ independente se mãe biológica ou adotiva ] , quem está disposta a se doar integralmente, sem reservas. Ou seja, definitivamente NÃO É para qualquer uma – certamente não para aquelas que colocam, na frente de tudo, SUA carreira, SUAS escolhas, SEU conforto, SEU bem estar, SEU corpo…
Esse doar-se por amor nos dá uma ‘palhinha’, uma pequeníssima amostra do Amor de Jesus Cristo, pelo qual se entregou a nós na cruz… da mesma forma, nos faz meditar na angústia de Sua mãe, presenciando seu sofrimento, ali, impotente para aliviá-lo, mas sabendo que era necessário, que cumpria sua missão…
Oops, o dever me chama
Fiquem com Deus !




